jueves, 18 de junio de 2015

AMA E FAZE O QUE QUISERES



Não teorize sobre o amor, ame

Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender. Tenho visto muito amor por aí, amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva,mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito.

Apenas isso: bonitos,belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras. Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebeu ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor. 

Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão. Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito? De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível?

Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.

Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito. Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. 



Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. 

Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos): não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora. Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente. 

Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil.

Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem medo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser. Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. 

Cuide agora da forma.

Cuide da voz.

Cuide da fala.

Cuide do cuidado.

Cuide do carinho.

Cuide de você.

Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

Artur da Távola

Editor de Texto: Rev. Ruben Dario Daza .

SOLI DEO GLORIA

domingo, 24 de mayo de 2015

A reconciliação cósmica e o diálogo inter-religioso



          Das metáforas neotestamentárias que descrevem a obra redentora de Deus em Cristo, a da reconciliação é a que tem recebido menos atenção nas teologias sistemáticas de igrejas evangélicas em geral. Ela perde terreno para a metáfora da justificação (a mais forte entre luteranos), para a da soberania de Deus (a mais forte entre calvinistas), para a da santificação (a mais forte entre metodistas), para a da salvação (a mais forte entre batistas), para a do batismo do Espírito (a mais forte entre pentecostais) e para a da libertação (a mais forte no ecumenismo latino-americano) (1). Em um mundo plural, entretanto, a metáfora da reconciliação merece receber especial atenção devido ao seu potencial para a restauração da amizade e harmonia entre pessoas, religiões e povos. 

        O texto básico deste ensaio será a segunda parte do hino cristológico de Colossenses 1,15-20, mas desejo começar citando a afirmação paulina de que Deus “nos confiou o ministério da reconciliação” e nos “encarregou da palavra da reconciliação” (2 Coríntios 5,18.19). Se buscamos um conceito teológico fundante para o ministério do diálogo inter-religioso, aqui o encontramos. O diálogo inter-religioso se faz a partir da vocação do povo de Deus para a reconciliação, em Cristo, de todas as coisas com Deus, e de todas as pessoas umas com as outras e com toda a criação divina. A origem, a finalidade e o caminho do diálogo inter-religioso são um e o mesmo: a reconciliação de toda a criação com Deus, em Cristo. 

          Dito isto, passo ao estudo da segunda estrofe do hino cristológico em Colossenses, a fim de descrever teologicamente a metáfora da reconciliação — aplicando-a à temática de nossa reflexão, em perspectiva evangélica latino-americana (2). 

1. A estrutura do hino 

          O hino (3) possui duas estrofes articuladas em paralelismo, que celebram a ação de Deus em Cristo (a) na criação, primeira estrofe – v. 15-17; e (b) na reconciliação, segunda estrofe – v. 18-20. O vocábulo mais repetido no hino, em diversas formas, é o advérbio tudo, todas as coisas, destacando o caráter cósmico, plenamente abrangente do agir crístico de Deus. A linguagem do hino provém de três ambientes discursivos: (a) da tradição sapiencial judaica (imagem, primogênito, criador, antes de tudo etc.); (b) dos discursos religiosos helênicos, tanto gentílicos como judaicos, com sua crença em anjos, demônios, deuses e semideuses (principados, potestades, cabeça do corpo, plenitude etc.); e (c) do discurso imperial romano, tanto em sua vertente ideológica (o império romano como a expressão da verdadeira paz e salvação), quanto em sua vertente diplomática (a concórdia baseada na amizade, paz e reconciliação entre povos).

Ele é a imagem do Deus invisível 
o primogênito de toda a criação 
pois nele foram criadas todas as coisas 
nos céus e na terra 
as visíveis e as invisíveis 
tronos ou soberanias 
poderes ou autoridades 
todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele 
e nele tudo subsiste

Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja 
é o princípio e o primogênito dentre os mortos 
- para que em tudo tenha a supremacia 
pois foi do agrado de Deus que 
nele habitasse toda a plenitude 
e por meio dele reconciliasse todas as coisas 
tanto as que estão na terra 
quanto as que estão nos céus 
estabelecendo a paz 
pelo seu sangue derramado na cruz.


2. A mensagem do hino (4) 

      Tradicionalmente, a linguagem da carta aos Colossenses era entendida exclusivamente como de natureza religiosa (5). Entretanto, recentemente, especialmente por influência da exegese latino-americana, mais estudiosos têm prestado atenção ao caráter político da linguagem do hino. Além de exegetas latino-americanos, vários autores norte-atlânticos têm notado a dimensão política dos termos já citados, bem como das metáforas da cabeça do corpo, da reconciliação e do fazer a paz — todas elas, de uma forma ou outra, vinculadas à linguagem da diplomacia e da ideologia do Império Romano (6). De fato, tais estudos deram novo vigor a antigas hipóteses interpretativas dos termos principados e potestades, abandonando formas dualistas de interpretação, e constatando que os mesmos se referem, simultaneamente, a poderes terrenos e celestiais, políticos e angelicais. O abandono de modelos dualistas de interpretação da Bíblia é fundamental para melhor entendê-la e também para a elaboração de uma teologia das religiões e uma missiologia do diálogo inter-religioso — pois este também não pode ser compreendido dualisticamente, mas compreendido e praticado na integralidade das relações que religiões e instituições religiosas mantêm com a sociedade, a cultura e a política.

          É a partir dessa percepção das dimensões cósmico-religiosa e política da linguagem do hino, que destacaremos as principais características de sua mensagem, com especial atenção para uma releitura do mesmo a partir da temática do diálogo inter-religioso. 

2.1. Jesus Cristo: Reconciliador de toda a humanidade em um só povo 

         Na segunda estrofe do hino (v. 18-20), o tema passa da criação para a nova criação: Jesus, o agente, meio e alvo da criação é descrito, agora, como a cabeça do corpo, que é a igreja (7). A metáfora da cabeça indica tanto senhorio como fonte de vida. A igreja existe em Jesus e vive em submissão a ele. Ele é muito mais do que seu líder (redução provocada pela alteração da metáfora para o cabeça), ele é a fonte e a razão de sua existência. Em paralelismo sinônimo, uma segunda qualificação de Jesus é apresentada: ele é o primogênito dentre os mortos (o primogênito da nova criação), ou seja, o primeiro a ressuscitar e não mais morrer; aquele que estabelece uma nova era histórica — e recebeu, por isso, do Pai, a supremacia sobre tudo quanto existe — na criação e na nova criação. 

          A utilização destas metáforas nos remete à concepção paulina do pecado que é uma realidade beligerante e desarticuladora — cria inimizade (por isso Deus reconcilia o mundo consigo e exorta seu povo à reconciliação) e divide a humanidade internamente (na ótica de Paulo, a humanidade sem Cristo é dividida ente judeus e gentios, homem e mulher, bárbaro e civilizado, escravo e livre) e em sua relação com a parcela não-humana da criação divina. 

      Se levamos em consideração, primeiramente, as divisões religiosas, a ação reconciliadora de Deus em Cristo, como o Senhor da nova criação, tem como efeito fundamental a reunificação da humanidade cindida entre judeus e gentios (binômio que representa todas as divisões religiosas particulares). Por causa da pecaminosidade humana, o povo abraâmico ficou, por muito tempo, reduzido a uma só etnia (a judaica), e criou-se uma barreira de separação entre Israel e os povos gentios. Sem Cristo, os gentios eram “privados da cidadania em Israel, estranhos às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo” (Efésios 2,12). 

           A própria lei de Deus se tornou o principal obstáculo à unidade humana, tendo em vista que demonstrou a incapacidade do ser humano de ultrapassar os limites do pecado e realizar, por si mesmo, a vontade de Deus (Efésios 2,15, cf. Romanos 1,18-3,23). De fato, a lei cumpriu seu propósito: demonstrar a pecaminosidade humana e a necessidade de Deus assumir não só a iniciativa, mas também a realização histórica da reconciliação — o que fez em Cristo Jesus. Como clímax de seu plano, Deus enviou Seu Filho, “nascido sob a Lei, nascido de mulher” cuja vida, morte e ressurreição trazem a reconciliação à humanidade; não só a reconciliação com Deus, mas também o rompimento da barreira religiosas entre os seres humanos. 

         A restauração da unidade humana é um dos principais efeitos da supremacia de Cristo na nova criação. Este tema, presente de forma implícita no hino, aludido no verbo “fazendo a paz”, é detalhado em Efésios 2,11-22. Aos gentios, afastados da aliança, Cristo nos aproxima de Deus pelo seu sangue (2,13). E, por meio dele, temos pleno acesso ao Pai, pelo Espírito (2,18.22). Em Jesus, o novo Adão, encontramos a “nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade. Em sua carne destruiu o muro de separação, o ódio. Ele aboliu a lei e os mandamentos com suas observâncias.” (Efésios 2,14s). 

          Assim, a fidelidade de Deus ao seu projeto original é mantida, e Seu plano histórico é cumprido e uma nova humanidade começa, escatologicamente, a se desenhar. Uma nova humanidade em Cristo Jesus, criada “segundo Deus na justiça e na santidade que vêm da verdade” (Efésios 4,24). A reunificação da humanidade são as primícias da nova criação, primeiro passo na direção da consumação da reconciliação cósmica, que é a restauração da amizade fundante do ato criador de Deus. 

        A unidade entre criação, restauração e consumação escatológica é determinante para compreendermos a reconciliação. Na linguagem de Barth:

         Reconciliação é a restituição, a retomada de uma comunhão, outrora existente, mas ameaçada de dissolução. É a manutenção, restauração e sustentação dessa comunhão em confronto com um elemento que a perturbe e desestrutura. É a realização do propósito original que subjaz e a controla, tanto no confronto com, quanto na remoção dessa obstrução. A comunhão que originalmente existia entre Deus e ser humano, que foi então perturbada e ameaçada, cujo propósito é agora cumprido em Jesus Cristo e na obra da reconciliação, nós a descrevemos como a aliança.” (8)

          Como ato escatológico de Deus, a reconciliação funda o compromisso missionário do povo de Deus, especialmente em sua dimensão da busca da concretização da restauração da unidade da humanidade — tão dividida em termos étnicos, culturais, políticos e religiosos. O diálogo inter-religioso é um dos caminhos missionários da reconciliação, mas desde que praticado na integralidade do projeto restaurador da aliança entre Deus e sua criação. Esse é o alvo do diálogo inter-religioso: não uma religião mundial, mas uma humanidade re-unificada consigo mesma e com Deus, verdadeira parceira da aliança divina. 

2.2. Jesus Cristo: Reconciliador de todos os poderes

        Voltando ao hino, a simetria entre as estrofes aponta claramente o fator que impede a restauração da unidade humana — os poderes. Para Paulo, todos os poderes— humanos e sobre-humanos — foram criados por Deus e a Ele estão subjugados. Isso não é o mesmo que afirmar, entretanto, que tais poderes sejam obedientes a Deus. Ao contrário! Os poderes se opõem a Deus e tentam usurpar o senhorio exclusivo de Jesus Cristo. O senhorio messiânico é de natureza escatológica, ou seja, está inaugurado mas não consumado, ainda se manifesta sob o signo da fraqueza do Filho encarnado. No contexto da igreja de Colossos, a celebração do senhorio cósmico de Cristo possui a conotação de fé e esperança, pois que realizada em um ambiente religiosa e politicamente hostil, no qual os cristãos eram absoluta minoria. Celebração de fé e esperança, no culto, que exige confronto com os poderes e discernimento na vida:

        Jesus Cristo é o único Senhor. Ele está acima de todos os poderes cósmicos e políticos. Ele é a Cabeça, no sentido de Princípio ativo de onde toda vida promana. É o Chefe que determina e subjuga todas as forças da história e todas as forças dos poderes políticos. A Cruz é a manifestação da vitória e do poder do Senhor que subjuga as forças e os poderes do mundo (Colossenses 2,15). A mensagem do hino é um apelo ao discernimento de Cristo Cabeça, no meio de tantas especulações filosóficas e religiosas: ‘Ele é a Cabeça, pela qual todo o Corpo, alimentado e coeso pelas juntas e ligamentos, realiza o seu crescimento em Deus’ (Colossenses 2,19). (9)

          É a partir do confronto com os poderes que chegamos ao tema da reconciliação de todas as coisas, nos céus e na terra — o que inclui os seres sobrenaturais, deuses, anjos, demônios ou daimonia, bem como todos os tipos de poderes terrestres (v. 19-20; cp. 2 Coríntios 5,19). Na seção anterior, tematizamos a reconciliação da humanidade; nesta, o foco recairá sobre a reconciliação dos poderes. 

         Em que consiste a reconciliação dos poderes, primeiramente dos poderes angelicais e demoníacos que, nas culturas antigas, eram cridos como forças que determinavam a vida das pessoas? Basicamente, consiste no despojamento escatológico de sua condição de senhores (Colossenses 2,15 e Efésios 1,20-23), ou seja, sua subordinação ao soberano agir reconciliador de Jesus Cristo que, como Senhor escatológico — exaltado a essa condição pelo Pai mediante a sua ressurreição (Efésios 1,20-23) —, restringe a possibilidade de ação desses poderes — tanto sobre os cristãos como sobre o mundo em geral, até que eles venham a ser efetivamente derrotados, totalmente subordinados a Deus e anulados em seu agir conforme I Coríntios 15,24; Efésios 1,10. 

          Para o diálogo inter-religioso, a afirmação neotestamentária do senhorio único de Jesus Cristo é um fator inevitável de tensão. Várias camadas de pensamento eclesiástico, porém, precisam ser removidas da leitura desta afirmação bíblica, a fim de que ela seja melhor entendida e não seja reduzida a uma afirmação meramente institucional, particularista. Em primeiro lugar, é preciso romper a camada da identificação da fé em Cristo com a membresia a uma igreja cristã. É preciso abandonar a antiga afirmação de que “fora da igreja não há salvação”, e substituí-la pela mais ousada e bíblica afirmação de que só em Cristo há salvação. Nenhuma instituição cristã, por mais ortodoxa que seja, é a fonte da salvação. No campo evangélico do cristianismo atual, precisamos romper com a hegemônica noção de que o alvo e critério da missão é o crescimento numérico da igreja. As igrejas são apenas instrumentos do reinado de Deus, e não o próprio reinado! O alvo e o critério da missão são o crescimento do senhorio de Cristo, e não o da igreja. 

          A segunda camada a ser removida é a identificação do Cristo com o a Cristandade, ou seja, a instituição eclesiástica aliada aos poderes políticos. Os inimigos da reconciliação não são os seres humanos, nem a criação que geme, mas os poderes que se insurgem contra o senhorio de Jesus Cristo. Nele, percebemos que o Pai não é só o “nosso” pai, mas o pai de “toda família, na terra e céus” (Efésios 3,14-15)(10). Nele, percebemos que Deus aceita em sua família aquelas pessoas que o buscam sinceramente, mesmo quando não O buscam na “igreja”, como Cornélio, exemplo vivo da reconciliação inclusiva de Deus em Cristo (Atos 10,4.31). Nele, aprendemos que Deus “retribuirá a cada um segundo as suas obras; a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em favor do bem, procuram glória, e honra e incorrupção [...] glória, porém, e honra e paz a todo aquele que pratica o bem, primeiramente ao judeu, e também ao grego; pois para com Deus não há acepção de pessoas” (Rmanos 2,6-11). 

    A terceira camada a ser removida é a da identificação da espiritualidade reconciliadora com a ética e espiritualidade ocidentais e classistas. O povo reconciliado com Deus, em Cristo, não tem um único estilo de vida, uma única espiritualidade que, em algumas igrejas evangélicas, é apenas o estilo de vida da classe média consumista do capitalismo contemporâneo. A espiritualidade cristã é radical, pois a reconciliação vai à raiz dos problemas do ser humano. A espiritualidade cristã é integral, pois a reconciliação divina é integral. Precisamos abandonar a espiritualidade individualista, dualista e moralista da maior parte das igrejas cristãs ocidentais, e assumir ousadamente o compromisso com a espiritualidade integral da reconciliação. Contamos, aqui, com a colaboração de Bevans e Schroeder:

A reconciliação possui diferentes níveis, e a igreja deve se envolver, conforme sua capacidade, em cada um deles. Em primeiro lugar, há o nível pessoal da reconciliação [...] Um segundo nível de reconciliação pode ser chamado de reconciliação cultural [...] Um terceiro nível é a reconciliação política [...] Em último, mas não inferior aos demais, há a reconciliação dentro da própria igreja. (11)

         Devemos acrescentar o nível da reconciliação ecológica e afirmar o chamado de Deus para o seu povo praticar uma espiritualidade integral — um novo estilo de vida que transforme as dimensões pessoal, cultural, política, eclesial e ecológica da vida. Não há forma mais eficaz de compromisso com a restauração cósmica do que uma vida vivida plenamente conforme o senhorio reconciliador de Deus em Cristo.

          Tudo isto significa que devemos abrir mão da dimensão evangelizadora da missão? De modo nenhum! Como afirma Eduardo Pedreira:

         Na realidade, o que propomos é caminhar por vias já trilhadas, mas com um novo comportamento. Buscar a via da evangelização, mas evangelização inculturada e não evangelização imposta. Buscar a conversão, mas não a conversão a uma determinada cultura que se pretende universal, e sim ao Evangelho. Somente assim acharemos um meio de dialogar até onde esse diálogo não sufoque o anúncio, sem, contudo, permitir que o anúncio corte a possibilidade do diálogo. (12)

2.3. Jesus Cristo, um novo caminho para o exercício do poder

          Voltando nossa atenção para a dimensão política, em sentido estrito, da ação reconciliadora de Deus celebrada no hino, encontramos dura crítica contra a ideologia da pax romana. Para o Império Romano, a paz era a ausência de revoltas, implantada mediante a subjugação dos povos conquistados pela força. Sêneca, falando a respeito do imperador, chefe do exército romano, assim descreve a pax romana:

             Ele é, pois, o laço pelo qual a comunidade permanece unida, ele é o sopro de vida que tantos milhares inspiram, que por si sós não representariam mais do que fardo e espólio, se aquele espírito fosse tirado do Império: 'enquanto o rei permanece com vida, todos permanecem unânimes, se ele for perdido, eles quebram a fidelidade'. Esta desgraça será o fim da paz romana, isto fará cair em ruínas a felicidade de tão grande povo; este povo estará longe deste perigo enquanto souber suportar os freios. Uma vez que os tenha rejeitado, ou não suportar que as rédeas, caso tenham sido jogadas ao chão por algum acaso, lhe sejam colocadas novamente no dorso, então esta unidade e este sistema do maior domínio cairá quebrado em muitas partes e para esta cidade o fim da obediência identificar-se-á com o fim do dominar. (13)

          Não pode haver paz, de fato, onde há violência e dominação. A paz dos impérios jamais deixou de ser uma falsa paz, o encobrimento da violência e da dominação por uma retórica de progresso, harmonia e felicidade. Assim foi com os romanos, assim foi na guerra fria, assim é no império globalizado do modo de viver capitalista ocidental em nossos dias. Onde julga necessário, o império atual não se recusa ao uso das armas. Em geral, porém, prefere a estratégia da violência e dominação simbólicas — o anúncio do pseudoevangelho do capitalismo como único caminho, verdade e vida. Disfarçada de progresso, desenvolvimento científico, democracia e prosperidade, o modo de vida capitalista estende seus tentáculos com vistas a dominar todas as nações e povos. Como o antigo império romano, o império contemporâneo exerce o poder de forma violenta e dominadora. Em um mundo assim articulado, não há lugar para diálogo, apenas para o conflito inter-religioso, com vistas à implantação de uma única fé — a fé em Mamom. 

           O exercício do senhorio de Cristo, porém é totalmente distinto. É um senhorio que não conquista, mas reconcilia; não gera uniformidade, mas unidade. É um senhorio sem estratégias, mas com relacionamentos. Um senhorio cujo poder é exercido pelo Deus que faz a paz mediante a morte do seu próprio Filho, e não a dos seus inimigos. Na tradição judaico-cristã, a paz (shalom) é a plena harmonia que Deus estabelece na sua criação, com destaque — neste contexto — para a justiça social, econômica e política que é a harmonia cósmica aplicada à convivência humana. Para restaurar a harmonia rompida da criação, Deus entrega Seu Filho à morte reconciliadora em benefício da criação alienada do Pai. Ou, nas palavras do próprio crucificado: “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate de muitos” (Marcos 10,45).

Enquanto nas discussões ecumênicas contemporâneas pode parecer atrativo tentar redefinir oikoumene em um sentido positivo, necessitamos lembrar que na literatura cristã primitiva oikoumene era, primariamente, um termo do império, raramente usado em um contexto libertador. [...] O desafio para o ecumenismo atual deve ser o de repudiar a trajetória imperial da palavra, incluindo o próprio legado imperial da igreja. (14)

        Podemos vislumbrar a igreja, aqui, como o protótipo da nova criação, a antecipação escatológica da reconciliação cósmica de Deus — a comunidade missionária. A paz de Cristo deve afetar todo o modo de ser da igreja. O tempo não nos permite abrangência aqui, por isso, aponto apenas três exemplos: 

      Do ponto de vista da adoração cristã, a afirmação do senhorio de Cristo sobre os poderes nos convida ao culto público e à piedade privada nos quais “a oração cristã [seja, também] negação das pretensões dos poderes do imperialismo, e [...] discernimento constante da manifestação da força da cruz diante dos poderes que determinam a história.” (15) O culto cristão, no templo e na vida, não pode ser alienado nem alienante. Não pode ser individualista, nem consumista, mas culto e vida públicos, ou seja, efetivamente comprometidos com o bem-estar de toda a sociedade e de toda a criação de Deus. 

         Do ponto de vista da ação social dos cristãos, devemos crescer missiologicamente

até que os evangélicos percebam a possibilidade de existir confiança e participação com outros atores sociais além daqueles que professam a mesma fé, podendo, inclusive, compartilhar de redes com grupos que hoje são demonizados. Certamente este é o maior impedimento ou a maior deformação do capital social produzido neste meio, o qual tem como consequência uma significativa fragilidade que serve de impedimento para o estabelecimento de redes mais amplas e diversificadas. Um ambiente de tolerância e respeito torna-se fundamental para que efetivamente os avanços oferecidos pela formação dessas diferentes comunidades cívicas, as quais são acessíveis a uma massa de excluídos praticamente inatingida, ofereça capital social suficiente para manter e aprofundar a democracia brasileira. (16)

       Do ponto de vista do diálogo inter-religioso, a paz de Cristo exige uma comunidade plenamente cônscia de sua identidade transformada e transformadora. O diálogo inter-religioso não pode ser visto como uma ameaça à identidade da igreja, ou como um obstáculo à fidelidade à Palavra de Deus. Dialogar exige autenticidade e demanda que os parceiros envolvidos no diálogo mantenham sua legítima identidade, pois

os diálogos inter-religiosos ficam comprometidos quando as religiões perdem o seu perfil social, diluindo-se em tendências passageiras, de difícil apreensão. Não se pode dialogar com uma religiosidade difusa, e o encontro entre religiões nem chega a acontecer quando os parceiros se constituem de indefinidas transições entre as religiões, perdendo-se em formas híbridas de toda espécie. (17)

     O que ameaça a integridade da igreja não é o diálogo inter-religioso, mas o sincretismo com a cultura consumista e hedonista de nosso tempo, que se disfarça de êxtase religioso e prosperidade espiritual. É o conformismo com o mundo, e não o amor missionário que nos pode fazer perder o rumo.

Conclusão

       O tema do diálogo inter-religioso é extremamente exigente e desafiador para nós evangélicos. Exige que voltemos à Escritura e interpretemos seus textos a partir de um novo lugar — não mais o lugar da cátedra da verdade, mas o lugar da busca humilde do conhecimento de Deus. Desafia-nos a avaliar nossa espiritualidade, teologia e prática missionária à luz dos critérios bíblicos da soberania e da reconciliação de Deus, em Cristo. Que o Espírito de Deus nos encha de discernimento, sabedoria e coragem para compreendermos e praticarmos o diálogo inter-religioso para a glória de Deus e o bem-estar de toda a sua criação.

Notas 

(1) Na teologia sistemática, as duas exceções fundamentais no século XX são Karl Barth (vol. IV de sua Church Dogmatics) e Wolfhart Pannenberg (vol. 2 de sua Systematic Theology), que desenvolvem seu conceito da obra salvífica de Deus ao redor do eixo temático da reconciliação. Nos estudos missiológicos, podemos encontrar situação semelhante. No clássico da missiologia evangélica, Missão Transformadora (BOSCH, David J. São Leopoldo: Sinodal, 2007, 2ª. ed., original de 1991), o tema da reconciliação não é enfocado; já na missiologia de BEVANS & SCHROEDER (Constants in context: a theology of mission for today. Maryknoll: Orbis Books, 2004), embora poucas páginas sejam dedicadas ao tema, afirma-se a reconciliação como um novo paradigma para a missiologia (pp. 384-392). 
(2) A discussão teológica sobre diálogo inter-religioso é muito mais intensa nos âmbitos do ecumenismo e do catolicismo romano. Devo mencionar que este tema não estava incluído na discussão evangélica sobre a missão no âmbito dos Congressos Brasileiros de Evangelização (SILVA, Serguem (org.). Missão Integral: Proclamar o Reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo. Belo Horizonte: Visão Mundial; Viçosa: Ultimato, 2004). Poucos evangélicos se dedicaram ao tema, dos quais os textos mais densos são, respectivamente, de um presbiteriano e um metodista livre: PEDREIRA, Eduardo R. Do Confronto ao Encontro – uma análise do Cristianismo em suas posições entre os desafios do Diálogo Inter-religioso. São Paulo: Paulinas, 1999; e SILVA, Dionísio O. da. O Comércio do Sagrado. Londrina: Descoberta Editora, 2004. 
(3) Para a discussão exegética pertinente, veja-se: BARTH, Markus & BLANKE, Helmut. Colossians: a new translation with introduction and commentary. New York: Doubleday, 1994; DUNN, Jmaes D. G. The Epistles to the Colossians and to Philemon: a commentary on the Greek text. Grand Rapids: Eerdmans, 1996; LOHSE, Eduard. Colossians and Philemon. Philadelphia: Fortress, 1971; MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemon. São Paulo: Vida Nova & Mundo Cristão, 1984; O'BRIEN, Peter T. Colossians, Philemon. Waco: World, 1987. 
(4) Adapto a discussão cristológica que propus em: ZABATIERO, Júlio P. T. Fundamentos da Teologia Prática. São Paulo: Mundo Cristão, 2006, cap. 3. 
(5) As discussões sobre a “heresia” colossense giravam ao redor da dependência, ou não, dessa heresia ao gnosticismo [ideia abandonada após a confirmação de que o gnosticismo é uma religião do II século d.C.], ou às religiões de mistério — o que é verificável. Mais recentemente, vínculos com a mística do judaísmo de Qumran também têm sido detectados, de modo que a “heresia” colossense passou a ser vista como uma apropriação sincrética, por cristãos judeus, de elementos do judaísmo, cristianismo e religiões de mistério. No hino, termos como plenitude, principados e potestades, tronos e dominações, são indicativos da presença dessas ideias religiosas. Nos últimos anos do século XX, mais atenção tem sido dada à apropriação paulina dessa terminologia, destacando a contribuição positiva que tal linguagem ofereceu ao desenvolvimento da cristologia e da espiritualidade paulinas. Do ponto de vista do diálogo inter-religioso, é bem-vinda essa atenuação da discussão sobre a “heresia” e o reconhecimento de uma relação de duas mãos no processo de crítica ao pensamento combatido pelo apóstolo. 
(6) Sobre a dimensão cósmico-política do hino, ver MAIER, Harry O. A Sly Civility: Colossians and Empire. In: Journal for the Study of the New Testament. n. 27, 2005. DOI: 10.1177/0142064X05052509. Acesso em 7.04.2006. Para a dimensão política da teologia do Novo Testamento em geral, pode-se consultar, entre outros: WENGST, Klaus. Pax Romana: pretensão e realidade. São Paulo: Paulinas, 1991. Quanto à linguagem política em Paulo, pode-se ver: ELLIOT, Neil. Libertando Paulo. A justiça de Deus e a política do apóstolo. São Paulo: Paulus, 1997; TAMEZ, Elsa. Contra toda condenação: a justificação pela fé partindo dos excluídos. São Paulo: Paulus, 1995. 
(7) Ainda se debate muito sobre a possibilidade desta frase ser uma inserção paulina ao texto pré-paulino do hino. Do ponto de vista da interpretação do texto, isto agora não faz diferença. Cp. os comentários citados à nota 3, acima. 
(8) BARTH, Karl. Church Dogmatics. The Doctrine of Reconciliation. Tomo IV/1. Edimburgo: T & T Clark, 1956, p.22. 
(9) ANDERSON, Ana. F. O Evangelho da liberdade. In: Estudos Bíblicos. Petrópolis: Vozes, 1989, p. 67. 
(10) Na declaração Nostra Aetate, art. 5, a própria Igreja Católica reconhece a inescapável implicação missiológica deste conceito: “Não podemos, porém, invocar Deus como Pai comum de todos, se nos recusamos a tratar como irmãos alguns homens, criados à Sua imagem. De tal maneira estão ligadas a relação do homem a Deus Pai e a sua relação aos outros homens seus irmãos, que a Escritura afirma: «quem não ama, não conhece a Deus» (1 Jo. 4,8).” 

http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decl_19651028_nostra-aetate_po.html. Acesso em 14/10/2007. 

(11) BEVANS, Stephen B. & SCHROEDER, Roger P. Constants in context: a theology of mission for today. Maryknoll: Orbis Books, 2004, p. 391-2. 
(12) PEDREIRA, Eduardo R. Do Confronto ao Encontro – uma análise do Cristianismo em suas posições entre os desafios do Diálogo Inter-religioso. São Paulo: Paulinas, 1999, p. 175. 
(13) Sêneca, apud WENGST, Klaus. Pax Romana: pretensão e realidade. São Paulo: Paulinas, 1991, p. 18. 
(14) Barbara Rossing, apud HANSON, Mark S. The Church: Called to a Ministry of Reconciliation. Sermão pregado em Concílio da Federação Luterana Mundial, setembro de 2005. 
http://www.lutheranworld.org/LWF_Documents/2005-Council/Sermon-Opening-2005-EN.pdf. Acesso em 2.08.2007. 

(15) ANDERSON, Ana F. op. cit., p. 62. 
(16) FONSECA, Alexandre B. Os evangélicos e sua vivência na sociedade. In: SILVA, Serguem (org.). Missão Integral: Proclamar o Reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo. Belo Horizonte: Visão Mundial; Viçosa: Ultimato, 2004, p. 236s. 
(17) LIENEMANN-PERRIN, Christine. Missão e diálogo inter-religioso. São Leopoldo: CEBI/EST/Sinodal, 2005, p. 163. 

SOLI DEO GLORIA
AUTOR: JÚLIO ZABATIERO


Júlio é Professor da Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo-RS e Coordenador de Pós-Graduação e Pesquisa da Faculdade Unida de Vitória. Participa do Conselho Editorial de revistas acadêmicas e também atua como tradutor e revisor de tradução. É membro da Fraternidade Teológica Latino-Americana-Brasil.


EDITOR DE TEXTO: REV. RUBEN DARIO DAZA

jueves, 23 de abril de 2015

EL COMPLICADO ARTE DE VER



TEOLOGÍA DE LO COTIDIANO
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EL COMPLICADO ARTE DE VER: 

Ella entró en mi oficina pastoral, se sentó en el sofá y me dijo: “Creo que me estoy enloqueciendo, me estoy volviendo loca”. Yo me quedé en silencio esperando ver en ella alguna señal que me pudiera revelar algo de su locura. Luego me dijo: "Uno de mis placeres que me gusta hacer es cocinar. Me voy para la cocina, corto las cebollas, los tomates, los pimentones – realmente siento mucha alegría cuando hago esas tareas para preparar la comida de mis hijos. Sin embargo, hace unos días, entré a la cocina para hacer aquello que tantas veces ya hice de manera cotidiana: cortar cebollas. Lo considero como un acto banal y sin sorpresas. Pero, aquel día en que estaba cortando la cebolla, yo la miré para ella fijamente y me dio un susto. Percibí que nunca he visto una cebolla. Aquellos anillos tan perfectamente ajustados, la luz reflejándose en ellos: tuve la impresión de estar viendo matizados colores como los vitrales de una Catedral Gótica. De repente, la cebolla que cortaba, como objeto a ser comido, se transformó en obra de arte para ser vista y apreciada. Y lo peor es que lo mismo sucedió cuando corté los tomates, los pimentones… Ahora, todo lo que veo me causa espanto.”

Ella se calló, esperando por mi consejo y quizás por mi diagnóstico si realmente estaba loca. Yo me levanté de mi silla, fui al estante de la biblioteca de mis libros y de allá retiré "Odas Elementales", de Pablo Neruda. Busqué aquel poema que se titula "Oda a la Cebolla" y le dije: "Esa perturbación ocular que le sucedió es muy común entre los poetas. Mire lo que Neruda dijo de una cebolla igual como la de aquella que estaba cortando y que le causó espanto: 'Cebolla, luminosa redoma, pétalo a pétalo se formó tu hermosura, escamas de cristal te acrecentaron y en el secreto de la tierra oscura se redondeó tu vientre de rocío. No usted no está loca. Usted ganó ojos de poeta… Los poetas enseñan a ver”.

Ver es muy complicado. Eso es muy extraño, porque los ojos, de todos los órganos de los sentidos, son de la más fácil comprensión científica. Su estructura física es idéntica a la física óptica de una máquina fotográfica: el objeto del lado que está afuera aparece reflejado en el lado de adentro. Pero existe algo en la visión que no pertenece a la física.

William Blake sabía muy bien de eso y afirmó: "Un necio no ve el mismo árbol que un sabio". Sé de eso por experiencia propia. Cuando observo el árbol de Acacia que florece en Primavera, época en que se cubre de racimos colgantes de flores blancas y perfumadas que impregnan con su aroma varios metros a la redonda, yo me siento como Moisés delante de la Zarza ardiente: allí está una epifanía de lo sagrado. Pero una mujer que vivía cerca de mi casa decretó la muerte de una Acacia que florecía al frente de su casa porque el árbol ensuciaba el piso, y le daba mucho trabajo para su escoba. Sus ojos no veían la belleza. Sólo veían la basura.

Adélia Prado poeta del Brasil una vez dijo: "Dios de vez en cuando me saca de la poesía”. “Miro una piedra y solo veo una piedra. ". Drummond en cambio vio una piedra y no vio una piedra. La piedra que él vio lo transformó en poesía.

Existen muchas personas que tienen una visión perfecta y que nada ven. No es lo bastante no ser un ciego para ver los árboles y las flores. No es suficiente abrir la ventana para ver los campos y los ríos. El acto de ver no es cosa natural. Necesita ser aprendido. Nietzsche sabia de eso y afirmó que la primera tarea de la educación es enseñar a ver. El zen-budismo concuerda con eso, y toda su espiritualidad es una constante búsqueda de la experiencia llamada "satori", que es la apertura del "tercer ojo". Yo no sé si Cummings Poeta norteamericano nacido en Cambridge, Massachusetts, en octubre de 1894, se inspiraba en el zen-budismo, por aquellas cosas que un día escribió: "Ahora los oídos de mis oídos despertaron y los ojos de mis ojos se abrieron”.

Hay un poema en el Nuevo Testamento que relata la caminada de dos discípulos en la compañía de Jesús resucitado. Pero ellos no lo reconocían. Vinieron a reconocerlo súbitamente: al partir el pan, “sus ojos fueron abiertos”. Este poeta brasilero Vinicius de Moraes adopta el mismo principio del tema tratado en la poesía denominada "Operário em Construção" [“Obrero en Construcción”]: "De forma que, cierto día, en la mesa al cortar el pan, el operario fue tomado de una súbita emoción, al constatar asombrado que todo en aquella mesa – botella, platos, cubiertos y cuchillos, era él quien los hacía. Él, un humilde operario en construcción".

La diferencia se encuentra en el lugar donde los ojos se inclinan para ver. Si los ojos de ese operario se encuentran en la caja de herramientas, ellos serán apenas herramientas que usamos por su función práctica. Con nuestros ojos vemos objetos, las señales luminosas de tránsito, los nombres de las calles – y así viendo ajustamos nuestra acción. El ver se subordina en el hacer. Y eso es necesario. Pero la visión es pobre. Los ojos no disfrutan... Pero, cuando los ojos se fijan en una caja de juguetes, ellos se transforman en órganos de placer y se divierten, juegan con lo que ven, y miran por el placer de mirar, ellos quieren hacer el amor con el mundo.

Los ojos que viven y se fijan dentro de una caja de herramientas son los adultos. Los ojos que viven dentro de una caja de juguetes, pertenece al mundo de los niños. Para tener ojos juguetones, es necesario tener a los niños como verdaderos maestros, siempre recuerdo aquella poesía de Alberto Caeiro que dijo haber aprendido el arte de ver como un NIÑO. Jesucristo huyó del Cielo, haciéndose nuevamente niño, eternamente: "A mí, me enseñó de todo. Me enseñó a mirar para las cosas. Me señala hacia todas las cosas que hay en las flores, en las plantas y aves del cielo. Me muestra cómo las piedras son tan divertidas cuando las tiene en las manos y mira lentamente para ellas ".

Es por eso – del por qué yo creo que la primera función de la educación es para enseñar a ver – me gustaría sugerir que si pudiera formar un nuevo tipo de profesor, será el de un profesor que nada tenga que enseñar, pero que se dedicara a indicarme el camino para ver con asombrosa belleza todas las cosas cotidianas que engrandece y enriquece el alma. Como el niño Jesús del Poema de Caeiro. Su misión sería la de sentir como principios de partos de unos “ojos vagabundos” ....


REV. RUBEN DARIO DAZA B.

miércoles, 22 de abril de 2015

LAS MENTIRAS: EL CASO DE RAHAB







TEOLOGÍA DE LO COTIDIANO
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Mentiras... esa mala costumbre del ser humano. El caso de Rahab

No soporto a la gente mentirosa. Esa que se inventa excusas para quedar bien, para no decir las verdades. Esa gente que no merece perder un ápice de nuestro tiempo y que, por saber, por entender y por comprender las situaciones, lamentablemente lo perdemos... el tiempo.
Lo que sí ganamos es desconfianza. Y no solo sobre esa persona, sino que a lo largo de nuestra existencia vamos encontrándonos con personajes, que lamentablemente pierden su identidad como EL no personas, que van sumando para que dicha desconfianza la dirijamos y la enfoquemos momentáneamente hacia el ser humano en general. Insisto, momentánea y puntualmente. Entre otras cosas porque no todo el mundo merece ser prejuzgado por la culpa ajena de un tercero.

Qué patéticos llegamos a ser en algunos momentos. Si bien es cierto que todos hemos mentido o mentimos en algún momento, también está la versión de no contar toda la verdad. Que esa es otra. Otra justificación para situaciones que no tienen justificación, valga la redundancia.

No me refiero a mentiras para nuestra propia supervivencia, que quizá, y solo quizá, podrían ser llevadas al terreno de la benevolencia. Lo triste son las mentiras para quedar bien a través de una excusa vulgar, barata y, encima, de fácil descubrimiento. O para dañar... esas son las más crueles, retorcidas, inhumanas y déspotas de las existentes. Sobres esas mentiras me recuerda a las acciones de Rahab para proteger a los espías que envolvían una mentira. La Escritura dice: "Los labios mentirosos son abominación a Jehová; pero los que hacen verdad son su contentamiento (Prov12:22). ¿Fue eso justificado?. Recuerden que ella fue elogiada por su fe.

Pero, ese no es el punto en la historia de Rahab. No hay necesidad de una inteligente racionalización para justificar su mentira. La Escritura nunca elogia la mentira. Rahab no es aplaudida por su ética. Rahab es un ejemplo positivo de fe. En ese momento, su fe recién nacía, débil, y con necesidad de nutrientes y de crecimiento. Sus conocimientos de Jehová eran escasos. En el libro de Josué 2:9-11 ella deja en claro que algo sabía sobre Él, habiendo desarrollado un agudo interés en Jehová como producto de las historias sobre el escape de Israel desde Egipto.

Pero es probable que, antes de esa noche, no haya conocido a un verdadero adorador de Jehová. Muy posiblemente no tenía conocimiento del valor que ÉL asignaba a la verdad. Mientras tanto, ella era un producto de una cultura corrupta donde la ética era prácticamente inexistente. En su sociedad y especialmente en su profesión mentir era un estilo de vida.La manera como respondió es justo la que podríamos esperar de un nuevo creyente bajo estas circunstancias.

El punto es que esa fe de Rahab, aún sin desarrollo,inmediatamente dio frutos de acción.”Recibió a los espías en paz” (Hebreos11:31) quiere decir que no solo los escondió sino que también abrazó implícitamente su causa. De este modo confió todo su futuro al Dios de ellos.Y la prueba de su fe no fue la mentira que dijo, sino el hecho que “recibió a los mensajeros y los envió por otro camino” (Santiago2:25) cuando podría haberlos delatado por dinero.

Es por eso, que la mentira no es lo que hizo que su acción fuera loable. Fue que renunció a una promesa fácil,se puso en peligro,y se jugó el todo por el todo por el Dios de Israel. Nada sino la fe podría haber hecho un tan dramático e instantáneo cambio en el carácter de tal mujer. Obviamente,había desarrollado una gran curiosidad acerca de Jehová por las historias sobre su trato con Israel.Ahora que ella había conocido a personas de carne y hueso que le conocían y le adoraban, estaba lista para involucrarse del todo con ellos.

En realidad, desde mi punto de vista, mentimos por muchos motivos, pero uno de ellos es, sin lugar a dudas, el miedo a decir la verdad. Qué incongruente y a la vez tan curioso, ¿no crees? Como suelo decir siempre, la confianza no se regala ni se da, se gana.

QUE DIOS ILUMINE SUS CAMINOS !!!

lunes, 13 de abril de 2015

MISERICORDIA QUIERO Y NO SACRIFICIOS



Qué es la Misericordia:

La misericordia es la capacidad de sentir compasión por los que sufren y brindarles apoyo. La palabra misericordia proviene del latín “misere” que significa “miseria, necesidad”; cor, cordis que indica “corazón” y “ia” que expresa “hacia los demás”.

La misericordia puede manifestarse de diversas formas, sea por medios materiales como dar albergue, dar de comer, dar de beber, vestir al que no tiene, entre otros y, por medios espirituales por ejemplo enseñar, dar buenos consejos, consolar al que este triste, rogar a Dios por el bienestar de los seres humanos, etcétera.

El término misericordia tiene diferentes significado todo depende del contexto que en que se usa. Misericordia es una pequeña pieza prominente ubicada en los asientos de los coros de las iglesias que permite descansar cuando se está de pie. Asimismo, la misericordia es el puñal con que los caballeros medievales proporcionaban el golpe de gracia al rival caído.

En ocasiones, la palabra misericordia es confundida con lástima lo cual es errado ya que lástima es enternecimiento y compasión que provocan los males de otras personas, es decir, es un sentimiento temporal y no procura un acto bondadoso para finalizar con los problemas de los demás, en cambio, misericordia es la capacidad de sentir la desdicha de los demás y ofrecerles ayuda.

El término misericordia se puede utilizar como sinónimo de: compasión, piedad, bondad, entre otros. Algunos antónimos de la palabra misericordia son: impiedad, inclemencia, maldad, condena.

El término misericordia en hebreo en el antiguo testamento es “rehamîm” que significa “vísceras” en sentido figurado expresa un sentimiento íntimo, profundo y amoroso que liga a dos personas. El segundo término es “hesed” que es sinónimo al anterior término. Asimismo, existen las palabras “sonhanan” que manifiesta “mostrar gracia, ser clemente”, “hamal” que expresa “compadecer, perdonar” y, por último “hus” que significa “conmoverse, sentir piedad”.


Misericordia de Dios

Para los CRISTIANOS, la misericordia es la cualidad de Dios por la cual perdona los pecados de los fieles. La misericordia es un atributo divino mediante el cual los creyentes piden a Dios para que tenga piedad por sus pecados, desobediencias y sean perdonados.

La Divina Misericordia es la fe que sienten los cristianos por la misericordia de Dios creyendo que él se sacrificó por los pecados de sus creyentes. Por medio de esta fe, la iglesia garantiza a los fieles que Jesús perdonara sus faltas, no a través de un juicio, sino como un gesto de salvación. De igual forma, la misericordia es un estilo de vida que propone el cristianismo a través de acciones interiores como el cumplimiento de sus promesas, practicar las buenas obras semejantes a las de Cristo en obrar bien, creer en Dios, entre otros y, acciones exteriores por ejemplo la oración e intercesión que debemos hacer diariamente por el prójimo, la meditación y la lectura diaria de su Palabra y la reunión de los Santos cuando vamos a celebrar culto a Dios en la Iglesia, etcétera.

Para entender un poco lo alusivo anteriormente, en la Biblia en el Nuevo testamento se encuentra la parábola del “Buen Samaritano” conocida como “las parábolas de la misericordia” narrada en el Evangelio de Lucas, capítulo 10, versículos del 25 al 37, la misma enseña a los fieles que la caridad y la misericordia son las virtudes que encaminaran a los hombres a la piedad y a la santidad.

La misericordia y la gracia son confundidas con frecuencia aunque parezcan similares no lo son ya que misericordia se refiere al perdón concedido por Dios debido al arrepentimiento sincero, en cambio, gracia es don gratuito de Dios para ayudar al hombre a cumplir los mandamientos, salvarse o ser santo.

Misericordia como valor

La misericordia como valor es la virtud del ánimo que lleva a los seres humanos a conmoverse por los trabajos y miserias ajenas. La misericordia es una actitud bondadosa que una persona muestra a otra que esté atravesando por un mal momento.

La misericordia está relacionada con el término amor ya que misericordia es la capacidad que nos hace tener compasión de los males ajenos y nos incita a perdonar, mientras que el amor nos inclina a no guardar rencor, a perdonar.

Jesús como ejemplo de Misericordia

Su misericordia entrañable nos visitó en Jesús, él es la Palabra Misericordia encarnada. Gran parte del Evangelio nos muestra a Jesús conmovido en sus entrañas, llorando por y con el dolor ajeno, perdonando, liberando, levantando, curando, dando esperanza y futuro… tantas y tantas personas recobraron vida en contacto con su ternura y compasión: la MUJER con hemorroísa, la viuda de Naím y su hijo, el ciego Bartimeo, el paralítico, el de la mano seca, el sordo, la mujer encorvada la otra acusada de adulterio, Zaqueo, el buen ladrón, la multitud que andaba como ovejas sin pastor… a todos les visitó la Misericordia, y se volvieron compasivos y misericordiosos como él.

La oración nos permite experimentar en el corazón de qué manera somos amados por Dios. Y nos permite escuchar en el corazón la frase “Ve y haz tú lo mismo” (Lc 10, 37). Practica la misericordia y la compasión como el buen samaritano, como el Buen Padre Dios tiene contigo.

Si nuestra oración es auténticamente evangélica dará frutos de compasión. Si no los da, preguntémonos qué estamos haciendo mal.

Fijos los ojos en Jesús, hagamos nuestros los sentimientos de su corazón y caminemos hacia la Pascua, rehabilitados por su perdón y misericordia. Estrenando cada día un corazón de carne, que se conmueve por lo que ve y siente. Esforzándonos en combatir la indiferencia, como nos recomienda LA PALABRA DE DIOS.

CONCLUSIÓN

La Biblia nos dice que a Dios le gusta más la misericordia (acoger en el corazón la desgracia de otro, lo cual me lleva a la compasión, a sufrir-con) que los sacrificios (Mt 9, 13). Podríamos decir que la religión cristiana, en línea con la tradición profética del AT, va más a los hechos que a los ritos. Más a los frutos que a las buenas intenciones, más a la autenticidad que al “cumplimiento” de algo externo.

Es bueno ponerse en los zapatos del próximo para ver el mundo como él o ella lo ve, desde su perspectiva. Poder sentir lo que de verdad necesita y no lo que yo creo que necesita. Mirar a los ojos de quienes me rodean y pensar cómo hacerles fácil el camino que recorren. Salir de mí mismo e ir, entrar en esos “lugares” donde se sufre y se malvive. Es una buena terapia para relativizar mi desgracia. Y una buena acción pascual.Parece que es una virtud más trabajada en otras religiones que en el cristianismo, especialmente el budismo, y sin embargo, tenemos en el Dios cristiano el fundamento más fuerte, porque si algo podemos decir de Dios es que “es compasivo y misericordioso” (Ex 34, 6-7; Sal 86,5; Sal 103; Sal 145,8; Joel 2, 13; Eclo 2,11; Lc 6, 26). Dios muestra su amor y su misericordia entrañable perdonando a quien vuelve a Él de todo corazón ¡veréis lo que hará con vosotros: él volverá a vosotros, le daréis gracias a boca llena…!

La meditación cristiana nos ayuda en este sentido a conectar con nosotros mismos con serenidad y verdad. Nos permite acogernos con paz.

SOLI DEO GLORIA
RUBEN DARIO DAZA

CRISTO RESUCITÓ, ALELUYA !!




Vida Nueva

El encuentro con Jesús resucitado:

La alegría de la fe en medio de la Comunidad Pascual


San Juan 20, 19-31


“Nunca dejes que nada te llene de tanto dolor o tristeza que llegue hacer que te olvides del gozo de Cristo resucitado”. 
(Madre Teresa de Calcuta)


“Trae tu dedo: mira mis manos. Trae tu mano y métela en mi costado. Deja de ser incrédulo y hazte creyente”

En una de las antiguas exhortaciones de la liturgia greco-ortodoxa leemos:

“Esta es la Pascua felicísima, la Pascua del Señor, la Pascua santísima. Abracémonos mutuamente con alegría, ya que ella ha venido a remediar nuestra tristeza... Es hoy el día de la Resurrección; resplandezcamos de gozo, abracémonos, llamemos hermanos aún a los que nos odian, depongamos toda clase de resentimientos en atención a la Resurrección del Señor...”

El pasaje del evangelio de este domingo, tomado de Juan, nos dice cómo se llega a esta alegría. Vamos a explorar éste y otros elementos de la experiencia pascual en un relato que es verdaderamente grandioso: la aparición de Jesús resucitado a su comunidad tanto el primero como el segundo domingo de Pascua.

Efectivamente, se trata de un relato que se desarrolla a partir de diversos itinerarios internos:

♥ Del miedo a la alegría - Del oír al experimentar

♥ Del ver al creer - Del recibir al dar - Del creer al testimoniar

Tal es la progresión a la cual el relato de estas dos apariciones de Jesús resucitado nos permite asistir.

Entremos en el relato decantando sus elementos más significativos.

El primer domingo se va abriendo paso

En la oscuridad de la madrugada María Magdalena había encontrado el sepulcro vacío (Juan 20,1). Durante el mismo día, la Magdalena se había convertido en dos ocasiones en mensajera del acontecimiento: la primera vez para informar sobre la tumba vacía y la segunda como enviada de Jesús resucitado para anunciarle a la comunidad que “hemos visto al Señor” y transmitirles sus palabras.

En medio de los dos anuncios de la mujer e inicialmente impulsados por ella, el Cuarto Evangelio nos narra la ida de Pedro y el Discípulo amado a la tumba vacía. Allí el Discípulo amado “vio y creyó” a partir de la observación de los signos. Si con la Magdalena tenemos el modelo del anuncio pascual, con el Discípulo amado tenemos el modelo de la fe pascual.

Pero el relato ahora avanza hacia el culmen del primer domingo pascual: ese mismo día, “al atardecer”, el Resucitado viene personalmente al encuentro de sus discípulos. El cuarto evangelio insiste en que estamos aún en el “primer día de la semana”.

El estado inicial en que se encuentra la comunidad se describe así: “…Estando cerradas, por miedo a los judíos, las puertas del lugar en que se encontraban…”. Jesús los encuentra con las puertas cerradas: todavía están en el sepulcro del miedo y no participan de su vida resucitada.

Esta es la primera vez que se le manifiesta como Señor Resucitado a su comunidad. Se realiza entonces al interior de la comunidad primera el camino de la fe pascual.

El primer encuentro de Jesús resucitado con su comunidad.

El primer encuentro de Jesús resucitado con su comunidad tiene dos momentos:

(1) Jesús se manifiesta a su comunidad en cuanto Señor resucitado.

(2) Jesús les comparte su misma misión, su propia vida y su propio poder para perdonar pecados.

Jesús se manifiesta a su comunidad en cuanto Señor resucitado

Tres acciones realiza Jesús: se pone “en medio de ellos”; les da su paz: “La paz con vosotros”; les hace ver las marcas de su crucifixión: “Les mostró las manos y el costado”.

Y la reacción no se hace esperar: “Los discípulos se alegraron de ver al Señor”.

La presencia de Jesús resucitado suscita paz y de su alegría. Estos son los dos grandes dones el Resucitado.

El primer don fundamental del Resucitado es la “paz”

El primer don fundamental del resucitado es la paz. Tres veces, Jesús insiste en esto.

Jesús se las había prometido en sus palabras de despedida: “Os dejo la paz, mi paz os doy; no os la doy como la da el mundo. No se turbe vuestro corazón ni se acobarde”.

Ahora, cuando ha alcanzado su meta y ha sido glorificado, en cuanto vencedor del mundo y en su ir al Padre, Jesús está en condiciones de “dar” la paz anunciada.


SOLI DEO GLORIA

REV. RUBEN DARIO DAZA

miércoles, 18 de marzo de 2015

EL PROBLEMA NO ESTÁ EN LA BENDICIÓN, SINO EN EL MANEJO...



(II Samuel 6:3-12) 3 Pusieron el arca de Dios sobre un carro nuevo, y la llevaron de la casa de Abinadab, que estaba en el collado; y Uza y Ahío, hijos de Abinadab, guiaban el carro nuevo.
4 Y cuando lo llevaban de la casa de Abinadab, que estaba en el collado, con el arca de Dios, Ahío iba delante del arca.
5 Y David y toda la casa de Israel danzaban delante de Jehová con toda clase de instrumentos de madera de haya; con arpas, salterios, panderos, flautas y címbalos.
6 Cuando llegaron a la era de Nacón, Uza extendió su mano al arca de Dios, y la sostuvo; porque los bueyes tropezaban.
7 Y el furor de Jehová se encendió contra Uza, y lo hirió allí Dios por aquella temeridad, y cayó allí muerto junto al arca de Dios.
8 Y se entristeció David por haber herido Jehová a Uza, y fue llamado aquel lugar Pérez-uza, hasta hoy.
9 Y temiendo David a Jehová aquel día, dijo: ¿Cómo ha de venir a mí el arca de Jehová?
10 De modo que David no quiso traer para sí el arca de Jehová a la ciudad de David; y la hizo llevar David a casa de Obed-edom geteo.
11 Y estuvo el arca de Jehová en casa de Obed-edom geteo tres meses; y bendijo Jehová a Obed-edom y a toda su casa.
12 Fue dado aviso al rey David, diciendo: Jehová ha bendecido la casa de Obed-edom y todo lo que tiene, a causa del arca de Dios. Entonces David fue, y llevó con alegría el arca de Dios de casa de Obed-edom a la ciudad de David.

Esta interesante historia cuenta el anhelo que David tenÍa de llevar el arca a Jerusalen.  Y la intención era buena, así es que  emprenden el viaje procediendo a colocar el arca en un carro nuevo (v.3) y los que conducían  el carro eran Uza y Ahìo y todo aparentemente estaba bien, hasta que los bueyes tropezaron y Uza extendió su mano para sostener el Arca, atrayendo sobre sí muerte por aquel acto de imprudencia. El temor se apodera de David, quien rehúsa seguir llevando consigo el Arca, enviándola a la era de Obed-Edom Geteo y durante los tres meses que estuvo en su casa el Arca , Dios bendijo a Obed-Edom y a toda su familia.(v.11).

La pregunta sería:  Que representaba tener el Arca de Dios con ellos?.  Definitivamente era tener la misma presencia de Dios con ellos.    Qué Representaba la presencia de Dios?. Bendición, vida, paz y todo lo que puedas imaginar para el bien de los que la tuvieran.

Entonces?  Por qué, si  tener el arca representaba vida, bendición y seguridad, Por qué trajo temor y muerte?

Cómo se explica que en las manos de David trajera muerte, temor y tristeza y en las manos  de Obed-Edom  llevara bendición?

Que fue lo que hizo que causara efectos diferentes si se trataba de la misma Arca?

RESPUESTA:

Definitivamente el problema no estuvo en el Arca como tal sino en el manejo.  Me explico: Si notamos la forma como David y el pueblo pretendían llevar el Arca, no difería en la forma como los filisteo la manejaron cuando la capturaron y cómo la  habían devuelto, y por supuesto contradecía por completo las instrucciones que para tal fin el Señor habìa dado.  “Esta debìa ser cargada sobre los hombros de los levitas”.

REFLEXIÓN:  Cuántas veces como David, recibimos la bendiciòn pero la echamos a perder porque no la manejamos según sus instrucciones sino como lo hace la gente del común –del mundo- y, luego, cuando los bueyes tropiezan queremos sostenerla con nuestras fuerzas, terminando frustrados, amargados y hasta resentidos con Dios y  queremos tirar o , entregar a otro eso que me trajo tantos problema, sin detenerme a pensar que el problema  no està en la bendiciòn que Dios me entregò, sino en la manera carnal, liviana e impropia  como la manejè y, que la soluciòn no es devolver el regalo, sino corregir los errores que han acompañado el manejo.

Obed-Edom, por su parte supo apreciar el bien que le había sido entregado a su cuidado y lo hizo según las instrucciones del dador y por eso recibió el beneficio que el Arca estaba llamada a dar al que la tuviera.

No se con qué o con quién Dios te ha bendecido, y tampoco  sé si ahora mismo los bueyes estén tropezado y tu estés intentando sostener con tus fuerzas la situación, y le estés reclamando a Dios por lo que está pasando  y hasta sientas deseos de devolverle lo que te dio.  Yo te digo detente!,  todo  lo que Dios da es bueno (Santiago 1:17) ; haz un alto en el camino y revisa la forma como has administrado ese regalo y  cìñete a las instrucciones de manejo que el Señor ha establecido  y tú veras como todo será sanado  y restaurado, brindándote los beneficios que dicho regalo está llamado a darte.

Bendiciones.

SOLI DEO GLORIA

REV. RUBEN DARIO DAZA B.